Matar os nossos sonhos

"O primeiro sintoma de que estamos a matar os nossos sonhos é a falta de tempo - continuou Petrus- . As pessoas mais ocupadas que conheci na minha vida tinham sempre tempo para tudo. As que nada faziam estavam sempre cansadas, não davam conta do pouco trabalho que precisavam de realizar, e queixavam-se constantemente que o dia era curto demais. Na verdade, elas tinham medo de travar o Bom Combate.
O segundo sintoma da morte dos nossos sonhos são as nossas certezas. Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a julgar-nos sábios, justos e correctos no pouco que pedimos da existência. Olhamos para além das muralhas do nosso dia-a-dia e ouvimos o ruído de lanças que se quebram, o cheiro a suor e de pólvora, as grandes quedas e os olhares sedentos de conquista dos guerreiros. Mas nunca percebemos a alegria, a imensa Alegria que está no coração de quem luta, porque para estes não importa nem a vitória nem a derrota, importa apenas travar o Bom Combate.
Finalmente, o terceiro sintoma da morte dos nossos sonhos é a Paz. A vida passa a ser uma tarde de Domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar. Achamos então que estamos maduros, deixamos de lado as fantasias da infancia, e conseguimos a nossa realização pessoal e profissional. Ficamos surpreendidos quando alguém da nossa idade diz que quer ainda isto ou aquilo da vida. Mas na verdade, no intimo do nosso coração, sabemos que o que aconteceu foi que renunciamos à luta pelos nossos sonhos, renunciámos a travar o Bom Combate."
In O Diário de um Mago, Paulo coelho
Nunca desistam dos vossos sonhos por advercidades, porque o nosso maior limite somos nós próprios. Portanto sonhem muito, trabalhem, realizem e nunca temam um Bom Combate.

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